VOCÊ NÃO ESTÁ NA PÁGINA PRINCIPAL. CLIQUE AQUI PARA RETORNAR



sexta-feira, maio 29, 2009

HASÎDÎM - OS "ESPIRITUAIS" - P'RÎSAYYÂ - "OS SEPARADOS"

Quem, então, eram os fariseus? Eles são mencionados, primeira vez, com esse nome, em meados do segundo século a.C. Em sua narrativa do governo de Jônatas (160-143 a.C.), irmão e sucessor de Judas Macabeu, Josefo diz que nessa época havia três escolas de pensamento entre os judeus: os fariseus, os saduceus e os essênios, dos quais estes últimos eram adeptos rígidos da predestinação, e os saduceus insistiam que todas as coisas aconteciam de acordo com o livre arbítrio de cada um, enquanto os fariseus ocupavam uma posição intermediária que abria espaço para a predestinação divina e a escolha humana. Esse provavelmente não era o ponto mais importante em que os três grupos diferiam uns dos outros, mas Josefo gostava de falar dos paridos religiosos judaicos, como se fossem escolas de filosofia grega, e chamava a atenção para aqueles traços em que ele achava que os leitores gregos e romanos estariam interessados.Mais adiante ele diz que o sobrinho de Jônatas, João Hircano, que governou a Judéia por mais ou menos trinta anos (134-104 a.C.), no começo foi um discípulo dos fariseus, mas depois se ofendeu com a franqueza de um deles e rompeu com eles, passando a aliar-se com os rivais deles, os saduceus. A partir daí os fariseus formaram um tipo de partido de oposição por várias décadas, sofrendo dura repressão, especialmente às mãos de Alexandre Janeu (103-76 a.C.).
Mais adiante ele diz que o sobrinho de Jônatas, João Hircano, que governou a Judéia por mais ou menos trinta anos (134-104 a.C.), no começo foi um discípulo dos fariseus, mas depois se ofendeu com a franqueza de um deles e rompeu com eles, passando a aliar-se com os rivais deles, os saduceus. A partir daí os fariseus formaram um tipo de partido de oposição por várias décadas, sofrendo dura repressão, especialmente às mãos de Alexandre Janeu (103-76 a.C.).
Mais adiante ele diz que o sobrinho de Jônatas, João Hircano, que governou a Judéia por mais ou menos trinta anos (134-104 a.C.), no começo foi um discípulo dos fariseus, mas depois se ofendeu com a franqueza de um deles e rompeu com eles, passando a aliar-se com os rivais deles, os saduceus. A partir daí os fariseus formaram um tipo de partido de oposição por várias décadas, sofrendo dura repressão, especialmente às mãos de Alexandre Janeu (103-76 a.C.).
Josefo não delineia os antecedentes espirituais dos fariseus, mas é bem provável que eles surgiram entre as fileiras dos hasîdîm ou “espirituais”, que são chamados “asideus” no livro dos Macabeus (1 Macabeus 2.42; 7.14; e 2 Macabeus 14.6). A origem desses asideus provavelmente deve ser procurada entre o povo fiel a Deus na Judéia que, algumas décadas após o retorno do exílio, agruparam-se com o propósito de se encorajar mutuamente, no estudo e na prática da lei sagrada, em meio ao que eles entendiam como declínio moral e religioso. No livro de Malaquias somos informados de que “os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros; o Senhor atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temiam ao Senhor e para os que se lembram do seu nome. Eles serão para mim particular tesouro, naquele dia que prepararei, diz o Senhor dos Exércitos; poupá-los-ei como um homem poupa a seu filho que o serve” (Ml 3.16-17). E estes cujos nomes foram registrados no livro como memorial não apenas seriam poupados naquele dia vindouro, mas também seriam os executores da sua sentença contra os ímpios: “Para vós outros que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas [...]. Pisareis os perversos, porque se farão cinzas debaixo das plantas dos vossos pés, naquele dia prepararei, diz o Senhor dos Exércitos". (Ml 4.2-3).
A devoção apaixonada desse povo à lei do seu Deus é ilustrada muito bem no Salmo 119, composição de alguém que suportou dificuldades e perseguições, por causa da sua lealdade aos “testemunhos” divinos, porém continua a considerá-los uma luz para o seu caminho e mais doces do que mel ao paladar. Eles deploravam a intromissão de costumes helenistas na vida judaica, sob os ptolomeus e selêucidas, e eram desprezados como estraga-prazeres antiquados pela geração mais jovem, mesmo nas famílias sacerdotais, que abraçou com fervor a nova moda. Quando, porém, o helenismo mostrou sua face inaceitável, na ação de Antíoco Epifânio que prometia extinguir a identidade religiosa e nacional dos judeus, foram os asideus que demonstraram ser os patriotas mais autênticos. Alguns deles opuseram resistência ferrenha às forças selêucidas, e conquistaram a coroa do martírio. Outros, talvez a maioria, uniram-se à família dos asmoneusJudas Macabeu e seus irmãos – e a seus seguidores, quando elevaram o padrão da revolta e iniciaram a guerra de guerrilhas contra os selêucidas.
A guerra de guerrilhas foi mais bem sucedida do que era esperado. O rei e seus conselheiros perceberam que sua política para a Judéia fora equivocada, e perto do fim de 164 a.C. a reverteram, permitindo que os judeus novamente praticassem sua religião ancestral e restaurassem o templo em Jerusalém, para o culto ao Deus de Israel. Muitos asideus estavam dispostos a contentar-se com isso, uma vez que a prática livre da sua religião era o objetivo da sua resistência. Eles não romperam imediatamente sua aliança com os asmoneus, mas não colaboraram mais com tanto entusiasmo na luta pela independência, especialmente depois de ver que essa luta implicaria o crescimento do poder asmoneu. Quando Jônatas aceitou o sumo sacerdócio em 152 a.C. das mãos de um pretendente ao trono selêucida, um grupo de asideus – que acabou formando a comunidade de Qumran – ficou tão furioso com essa usurpação da dignidade ancestral da casa de Zadoque que se recusou a reconhecê-lo como tal e até a adorar no templo, que fora profanado pela ação ilegítima do próprio Jônatas e dos seus herdeiros e sucessores.
Quando a independência política foi afinal obtida, o sumo sacerdócio foi confirmado para a família dos asmoneus, pelo decreto de uma assembléia popular. Muitos asideus, porém, não estavam contentes com isso, apesar de não poderem ir tão longe como a minoria intransigente que optou sair da vida pública, por causa da sua objeção à posse do ofício sagrado pelos asmoneus. Josefo, ao falar do rompimento entre os fariseus e João Hircano, diz que o que ofendeu João mortalmente foi a proposta de que deveria contentar-se com a liderança política e militar e desistir do sumo sacerdócio.
Será que os fariseus, então, eram asideus? Parece que sim, ou, pelo menos, que surgiram dentro da comunidade dos asideus e devem ser mesmo considerados o principal sucessor dela. A designação “fariseus” deriva da raiz hebraica e aramaica que significa “separados”. A palavra grega pharisaioi evidentemente é uma transliteração do aramaico p’rîsayyâ, “os separados”. Muitos entendem que eles receberam esse nome, por terem se afastado da aliança com os asmoneus, mas talvez o sentido seja mais geral, indicando sua política de separação total de tudo o que poderia trazer impureza moral ou cerimonial. Essa separação era o outro lado da santidade a que eles se sentiam especialmente chamados. Isso é expresso em um comentário rabínico posterior sobre Levítico, que amplia a instrução: “Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2): “Assim como eu sou santo, vocês também precisam ser santos; como eu estou separado (heb. parûs), vocês também precisam ser separados (heb. p’rûsîm)".
Os fariseus tomavam muito cuidado para guardar a lei do sábado e as restrições de alimentos, perpetuando assim os princípios dos judeus que foram martirizados por Antíoco IV, e sofreram torturas e morte para não apostatar nessas coisas. Davam escrupulosamente o dízimo do produto da terra – não apenas cereais, vinho e azeite, mas até as ervas da horta – e se recusavam a comer alimentos sujeitos ao dízimo, enquanto este não estivesse pago.
Em seu estudo da lei, eles elaboraram um conjunto de interpretações e aplicações que, com o tempo, adquiriu uma validade igual à da lei escrita, e sua origem, numa ficção jurídica, era atribuída a Moisés no monte Sinai, junto com a lei escrita. O propósito dessa lei oral – a “tradição dos anciãos”, como é chamada nos evangelhos (Mc 7.5) – era adaptar as prescrições antigas às situações diferentes, depois de tanto tempo, e impedir que fossem descartadas como obsoletas e impraticáveis. Havia diferentes escolas de interpretação entre os fariseus, mas todos concordavam com a necessidade aplicar a lei escrita nos termos da lei oral. Isso os distinguia dos seus principais opositores teológicos, os saduceus, que acreditavam (pelo menos em teoria) que a lei escrita deveria ser preservada e aplicada sem modificações, não importa o peso que sua imposição literal colocaria sobre as pessoas.
Não temos informações suficientes sobre a teologia dos saduceus, porque nenhum relato de primeira mão chegou até nós. O que sabemos apenas tem relação com os pontos em que diferiam dos fariseus. Sabemos, por exemplo, que, diferente dos fariseus, eles diziam que “não havia ressurreição, nem anjo, nem espíritos” (At 23.8). A fé na ressurreição, mantida pelos fariseus, é atestada ente os martirizados por Antíoco; ela deve ser distinguida da idéia (expressa, por exemplo, por Bem Siraque) de que o tipo mais desejável de imortalidade era a lembrança pela posteridade das virtudes de um homem bom, especialmente quando eram reproduzidas nos seus descendentes. Os saduceus podem muito bem ter considerado essa idéia mais coerente com os primeiros textos – apesar de alguns deles ficaram surpresos, certo dia, em Jerusalém, por volta do ano 30 d.C., ao ouvir um visitante da Galiléia deduzir a esperança da ressurreição da declaração divina feita a Moisés da sarça ardente. Quanto à descrença dos saduceus em anjos e demônios, o que eles rejeitavam, foi provavelmente o conceito de hierarquias opostas de espíritos bons e maus, cada uma encabeçada por sete arcanjos e arquidemônios conhecidos pelo nome. Eles podem ter reconhecido uma afinidade entre essas crenças dos fariseus e as da religião de Zoroastro; realmente, um estudioso chegou a sugerir que “fariseu” significava originalmente “persa” e que era uma designação pejorativa, inventada pelos saduceus, para seus opositores. Isso é improvável, mas pode-se imaginar que os saduceus, à guisa de sátira, reinterpretaram “fariseus” como “persas”. Os saduceus certamente pensavam que eles é que preservavam a religião dos antigos, e viam os fariseus como inovadores perigosos – modernistas, para ser claro.
Os fariseus ascenderam a uma posição de influência, quando Alexandre Janeu foi sucedido por sua viúva Salomé Alexandra; seu reinado de nove anos (76-67 a.C.) foi lembrado na tradição rabínica como uma pequena idade de ouro. Herodes lhes deu uma atenção respeitosa na primeira parte do seu reinado; ainda no ano 17 a.C., ele os liberou de um juramento de lealdade que exigia dos seus demais súditos. Pouco depois disso, porém, ele começou a se ressentir da teimosia deles, e, ao impor um novo juramento de lealdade em 7 a.C., a si mesmo e a Augusto, multou os fariseus - a grande maioria – que se recusaram a jurar. Quando, perto do fim da sua vida, alguns discípulos de fariseus, instigados por seus professores, derrubaram a grande águia dourada que ele colocara sobre a entrada do templo, ele se vingou de modo atroz.
Sob a administração romana, os fariseus estavam representados no Sinédrio. Apesar de eles serem minoria, segundo Josefo, sua influência sobre o povo era tal que a maioria dos saduceus e sumo sacerdote era obrigada a respeitar as opiniões deles. Muitos escribas, talvez a maioria – os expositores profissionais da lei e dos profetas – eram discípulos dos fariseus e difundiam as interpretações deles.Os fariseus se organizavam em grupos locais. Esses grupos eram chamados de habûrah; cada membro de um habûrah era um haber dos outros membros. Josefo, que nos diz que desde os seus dezenove anos de idade ele organizou sua vida segundo as regras dos fariseus, estima seu número em mais ou menos 6.000.
Por causa da preocupação meticulosa deles com as leis de pureza e o dízimo, eles não conseguiam conviver facilmente com aqueles, mesmo entre os judeus que não insistiam tanto nesses particulares como eles. Isso dizia respeito à grande maioria da população judaica da Palestina, camponeses e artesãos, que não podiam dedicar tanto tempo ou interesse ao estudo dessas leis como os fariseus. Estes, por isso, costumavam falar com desprezo do “povo da terra”, como os chamavam, porque essas pessoas, na opinião deles, eram incapazes da verdadeira religiosidade. Por outro lado, os fariseus eram criticados, por serem muito frouxos em sua busca da santidade pelos sectários de Qumran que promoveram sua própria “separação”, a ponto de se isolar (para não dizer enclausurar) e, com Isaías 30.10 na cabeça, diziam que os fariseus “procuravam coisas aprazíveis” ou (como a frase também pode ser traduzida) “davam interpretações aprazíveis”.
Um a certa idéia de família caracterizava certamente o movimento dos fariseus, mas havia uma ampla variedade dentro dele – em parte conseqüência das diversas escolas de interpretação, e em parte de diferentes temperamentos e motivações. Uma passagem do Talmud, citada com freqüência, se bem que bastante posterior, faz distinção entre sete tipos de fariseus, dos quais apenas um, o fariseu que é fariseu por amor a Deus, recebe elogios sem restrições.
Frederick Fyvie
O

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home